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PARANÁ-PUCA

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Há dez mil anos, um povo do litoral pernambucano selou vivo, sob a pedra, um senhor extraterrestre — e, no presente, cinco exploradores abrem por acidente a porta que o liberta.O prólogo se passa no passado remoto. Uma civilização à beira-mar vive escravizada por três seres vindos das estrelas, os Senhores, que não erguem nada com as próprias mãos: impõem a sua vontade dentro dos homens e os fazem carregar pedra para construir a Obra — cinco torres dispostas como os dedos de uma mão, com um poço central de fome. Quando a mulher de Tikum morre sob o peso, o povo se revolta: mata dois Senhores e sela o terceiro, Sarrún, vivo num cômodo de pedra do céu. Os outros dois Senhores voltam da órbita e, com uma arma sem forma, derrubam a Obra inteira no mar — furando-o e originando os recifes da costa. Os poucos sobreviventes fogem para o sertão. Mas a arma não tocou o cômodo: Sarrún continua lá embaixo, esperando.No presente, a geóloga Beatriz "Bia" Carneiro lidera uma expedição — com o financiador-youtuber Renato, o veterano Marcos, a escaladora Sílvia e o técnico Téo — que encontra, no interior de Pernambuco, uma fenda que não deveria existir. Lá dentro está a cidade soterrada, intacta. Conforme descem, começam as alucinações: Sarrún não tem corpo, é só uma vontade faminta, e a única coisa que sabe fazer é mentir e mandar carregar. Téo morre carregando uma pedra; Renato enlouquece e mata Marcos; pelos murais, Bia descobre que o povo antigo não matou Sarrún porque vontade não se mata — só se prende com uma vontade mais forte e unida.No clímax, Bia e Sílvia tentam reaprisioná-lo pela força da própria vontade ("você fica aí"), mas Sarrún se aloja no corpo de Sílvia para escapar à superfície. Bia o atrai para o seu próprio corpo e se joga no poço sem fundo, levando-o consigo. No epílogo, Sílvia — única sobrevivente — passa a viver em Tamandaré, de frente para os recifes, sabendo que são a Obra afundada; e em certas manhãs ainda ouve o arrastar de pedra, sem saber se é Sarrún querendo subir ou Bia, lá no fundo, segurando-o pela eternidade.

Os temas centrais são trabalho forçado e o "peso", vontade e dominação mental, memória coletiva como prisão, e sacrifício — tudo amarrado à etimologia real de Pernambuco (paraná-puca, "mar furado") e à paisagem nordestina.

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